{"id":34435,"date":"2019-03-01T00:47:44","date_gmt":"2019-03-01T03:47:44","guid":{"rendered":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/2019\/03\/01\/abacate-saciar-a-fome-mundial-da-fruta-tem-impacto-ambiental-e-violencia\/"},"modified":"2019-03-01T00:47:44","modified_gmt":"2019-03-01T03:47:44","slug":"abacate-saciar-a-fome-mundial-da-fruta-tem-impacto-ambiental-e-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/2019\/03\/01\/abacate-saciar-a-fome-mundial-da-fruta-tem-impacto-ambiental-e-violencia\/","title":{"rendered":"Abacate: saciar a fome mundial da fruta tem impacto ambiental e viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14438\" aria-describedby=\"caption-attachment-14438\" style=\"width: 600px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14438\" src=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Restaurantes-ingleses-retiraram-o-abacate-GETTY-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14438\" class=\"wp-caption-text\">Restaurantes ingleses eliminaram abacate de seus card\u00e1pios. Foto: Getty<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000000;\"><a href=\"https:\/\/diarioverde.com.br\"><strong><span style=\"color: #003300;\">Di\u00e1rio Verde<\/span> <\/strong><\/a>publica duas reportagens do portal jornal\u00edstico <strong><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/\">El Pa\u00eds<\/a><\/strong> retratando que,\u00a0 para saciar a fome mundial de abacate tem um pre\u00e7o: florestas derrubadas e cart\u00e9is no M\u00e9xico que entram no neg\u00f3cio de seu cultivo.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Segundo a Wikip\u00e9dia, o abacate, fruto comest\u00edvel do abacateiro (Persea americana), uma \u00e1rvore da fam\u00edlia da Lauraceae nativa do M\u00e9xico ou da Am\u00e9rica do Sul, hoje extensamente cultivada em regi\u00f5es tropicais e subtropicais, inclusive nas Ilhas Can\u00e1rias, na Ilha da Madeira e na Sic\u00edlia.<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000000;\">Para se ter uma ideia do tamanho do montante que a fruta movimenta, somente em 2018,\u00a0 as vendas aos\u00a0EUA\u00a0foram de 2,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (9 bilh\u00f5es de reais), muito mais do que as exporta\u00e7\u00f5es petrol\u00edferas. Ou seja, trata-se de um <a href=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/voce-sabia-que-o-abacate-e-mais-lucrativo-do-que-o-petroleo-no-mexico\/\">neg\u00f3cio maior do que o petr\u00f3leo.<\/a><\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Confira abaixo, a primeira mat\u00e9ria do El Pa\u00eds, informando que restaurantes da Irlanda e Gr\u00e3-Bretanha\u00a0 j\u00e1 est\u00e3o pedindo que a fruta tropical n\u00e3o seja mais utilizada por crit\u00e9rios \u00e9ticos e ambientais.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><em>Na sequ\u00eancia, a segunda mat\u00e9ria do portal jornal\u00edstico espanhol (em sua edi\u00e7\u00e3o brasileira) retrata que o Estado mexicano Michoac\u00e1n, maior produtor mundial da\u00a0fruta,\u00a0 sofre com o &#8216;boom&#8217; comercial que\u00a0 tamb\u00e9m trouxe viol\u00eancia, desmatamento e precariedade trabalhista.\u00a0<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\"><strong><em><span style=\"font-size: 14pt;\">Versatilidade, valores nutricionais, propriedades que elencam o abacate como um super alimento saud\u00e1vel, mas a sua reputa\u00e7\u00e3o vem caindo pela voracidade consumista da Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e Estados Unidos<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-size: 12pt;\">Versatilidade. Bom gosto. Valores\u00a0nutricionais\u00a0imbat\u00edveis. Propriedades como ingrediente em seus cremes. E uma vistosa cor verde que serve para in\u00fameras composi\u00e7\u00f5es no Instagram.<\/span><\/p>\n<p>Na era do\u00a0food porn (imagens, fotografias ou v\u00eddeos que sugerem alimentos preparados de forma que nos despertem instantaneamente a fome) e da comida saud\u00e1vel, o abacate tinha tudo para dar certo.\u00a0 Os alimentos usados na food porn no geral s\u00e3o\u00a0deliciosos, chamativos e repletos de calorias, trazendo ingredientes geralmente n\u00e3o usados e ex\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Mas sua reputa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em perigo justamente por conta da voracidade que desperta: somente na\u00a0Uni\u00e3o Europeia\u00a0as importa\u00e7\u00f5es dessa fruta milenar se multiplicaram por quatro entre 2000 e 2017, chegando a 486.063 toneladas nesse ano de acordo com a base de dados Comtrade da ONU.<\/p>\n<p>Um chef com estrela Michelin, JP McMahon, levantou a pol\u00eamica ao fazer um pedido aos restaurantes irlandeses para que eliminem ou pelo menos reduzam a presen\u00e7a dos \u201cdiamantes de sangue do\u00a0M\u00e9xico\u201d em seus menus em uma entrevista ao jornal\u00a0Irish Independent. Compara sua produ\u00e7\u00e3o \u00e0 dos\u00a0frangos em grande escala.<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o usa abacates \u201cpelo impacto que t\u00eam nos pa\u00edses de onde v\u00eam: desmatamento no Chile, viol\u00eancia no M\u00e9xico\u201d.<\/p>\n<p>Faz refer\u00eancia a informa\u00e7\u00f5es publicadas, entre outros ve\u00edculos de imprensa, no\u00a0The New York Times, que em mar\u00e7o (2018)\u00a0 j\u00e1 alertava que os cart\u00e9is de droga entraram com tudo nesse pr\u00f3spero neg\u00f3cio. O principal pa\u00eds exportador \u00e9 o M\u00e9xico, onde falam de \u201couro verde\u201d, com um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o global: s\u00e3o cultivados o ano inteiro na rica terra vulc\u00e2nica de Michoac\u00e1n.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um dos milagres do com\u00e9rcio moderno que em 2017, que teve o recorde de ser o ano mais violento no M\u00e9xico, esse Estado cheio de cart\u00e9is exportasse mais de 1,7 bilh\u00e3o de libras de abacates Haas aos Estados Unidos\u201d, afirmou o artigo.<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\"><strong><em><span style=\"font-size: 14pt;\">Restaurantes da Gr\u00e3-Bretanha decidiram n\u00e3o utilizar abacates por motivos \u00e9ticos e ambientais<\/span><\/em><\/strong><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o poucos os restaurantes, especialmente na Gr\u00e3-Bretanha, que decidiram n\u00e3o utilizar abacates em suas cozinhas por motivos \u00e9ticos e ambientais. Um dos \u00faltimos foi o Wild Strawberry Cafe, no condado de Buckinghamshire, ap\u00f3s servir 1.000 pratos por semana com a fruta.<\/p>\n<p>Como disseram em sua conta no Instagram, vai contra os crit\u00e9rios de sazonalidade e proximidade, ao contr\u00e1rio de produtos locais como as ab\u00f3boras e as ma\u00e7\u00e3s.<\/p>\n<p>\u201cAs florestas est\u00e3o diminuindo para dar lugar a planta\u00e7\u00f5es de abacate. A\u00a0agricultura intensiva a essa escala contribui com o lan\u00e7amento de gases do efeito estufa\u00a0na atmosfera e pressiona os fornecimentos locais de \u00e1gua\u201d, afirmaram.<\/p>\n<p>Esp\u00e9cies como a borboleta monarca, conhecida por suas longas migra\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos e Canad\u00e1 ao M\u00e9xico, ficam em perigo com a destrui\u00e7\u00e3o de seu ecossistema para o cultivo de abacates.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo um restaurante vegetariano, o Wildflower, no sul de Londres, se arriscou a prescindir de suas excelentes gorduras. Seu chef, Joseph Ryan, v\u00ea semelhan\u00e7as com a quinoa, que tamb\u00e9m sofreu uma queda vertiginosa de pre\u00e7os ap\u00f3s se tornar moda anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>O dono do Franks Canteen, Paul Warburton, tamb\u00e9m entrou no boicote. Como disse ao\u00a0Express, o abacate se transformou no s\u00edmbolo \u201cchato\u201d da globaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 que pode ser encontrado em qualquer caf\u00e9 do mundo. \u201cAl\u00e9m disso consome muita \u00e1gua e significa muitas \u00e1rvores cortadas. Aqui tentamos trabalhar sazonalmente, e como os abacates ser\u00e3o sazonais no norte de Londres?\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\"><strong>Espanha tamb\u00e9m cultiva<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Mas nem todos os abacates v\u00eam da\u00a0Am\u00e9rica do Sul.\u00a0A controv\u00e9rsia por enquanto n\u00e3o chegou \u00e0 Espanha, \u00fanico pa\u00eds na Europa que se destaca em seu cultivo, com 107.000 toneladas exportadas em 2017: 17% a mais do que ano anterior e 79% a mais do que h\u00e1 cinco anos, de acordo com a Federa\u00e7\u00e3o Espanhola de Associa\u00e7\u00f5es de Produtores de Frutas e Verduras.<\/p>\n<p>Granada, M\u00e1laga e especialmente as Ilhas Can\u00e1rias t\u00eam a temperatura ideal, mas a falta de \u00e1gua impede a expans\u00e3o do abacate, que os agricultores pedem que seja aliviado com mais infraestrutura.<\/p>\n<p>Porque a cremosidade que fez do abacate um hit mundial &#8211; pode ser o ingrediente de molhos, comido com p\u00e3o e batido &#8211; se deve justamente a sua grande necessidade h\u00eddrica. Uma planta\u00e7\u00e3o dessa fruta tropical precisa de quase o dobro em rela\u00e7\u00e3o a uma floresta de tamanho equivalente, o que transforma sua produ\u00e7\u00e3o em grande escala em pouco sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000;\">Confira <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/22\/ciencia\/1545495364_785198.html\"><strong>\u00a0aqui\u00a0<\/strong><\/a>\u00a0a mat\u00e9ria original e abaixo,\u00a0a segunda reportagem do El Pa\u00eds\u00a0 que\u00a0<span style=\"color: #003300;\"><strong><a style=\"color: #003300;\" href=\"https:\/\/diarioverde.com.br\">Di\u00e1rio Verde<\/a><\/strong><\/span> reproduz sobre o impacto social e ambiental do cultivo do abacate.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14446\" aria-describedby=\"caption-attachment-14446\" style=\"width: 568px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-14446\" src=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/aguacate2-768x490.jpg\" alt=\"\" width=\"568\" height=\"362\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14446\" class=\"wp-caption-text\">Abacates j\u00e1 s\u00e3o o maior produto do M\u00e9xico respons\u00e1vel por quase um ter\u00e7o do consumo no mundo. Imagem: https:\/\/www.kjokkenutstyr.net\/<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000; font-size: 18pt;\">A maldi\u00e7\u00e3o do abacate, um fruto da desigualdade no M\u00e9xico<\/span><\/p>\n<p>Michoac\u00e1n \u00e9 o maior produtor mundial da fruta, cujo &#8216;boom&#8217; comercial tamb\u00e9m trouxe viol\u00eancia, desmatamento e precariedade trabalhista ao Estado mexicano<\/p>\n<p>A culpa foi da\u00a0louca. Subindo pelo monte se veem casinhas brancas ao estilo Bauhaus e armaz\u00e9ns de empresas com nomes em ingl\u00eas. Mais acima, tudo \u00e9 verde p\u00e1lido, uma cobertura de \u00e1rvores que acabam em uma pequena flor amarelada de cinco p\u00e9talas.<\/p>\n<p>Os agricultores mexicanos chamam essa flor que coroa as \u00e1rvores de\u00a0la loca\u00a0(a louca) porque \u00e9 imprevis\u00edvel, aparece fora de \u00e9poca: no ver\u00e3o, no inverno, quando tem vontade.<\/p>\n<p>Flores loucas o ano todo significam tamb\u00e9m abacates o ano todo, um ritmo imbat\u00edvel que transforma essas \u00e1rvores nos pomares mais produtivos do planeta. Pela altura, clima e terreno, Michoac\u00e1n \u00e9 o para\u00edso do abacate.<\/p>\n<p>\u201cAqui nascem sozinhos. Mas nos \u00faltimos anos se plantou demais e mudou a vida de todos n\u00f3s\u201d, diz ao p\u00e9 da colina verde de Uruapan Jos\u00e9 Luis Mata, um produtor que j\u00e1 h\u00e1 duas d\u00e9cadas deixou as planta\u00e7\u00f5es de pepino e mel\u00e3o para cultivar abacate.<\/p>\n<p>Os norte-americanos est\u00e3o apaixonados pela\u00a0louca\u00a0de Michoac\u00e1n, o \u00fanico Estado que tem permiss\u00e3o para vender abacates ao vizinho do norte. Na \u00faltima d\u00e9cada as exporta\u00e7\u00f5es se multiplicaram por quatro.<\/p>\n<p>Somente no ano passado, as vendas aos\u00a0EUA\u00a0foram de 2,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (9 bilh\u00f5es de reais). Mais do que as rendas por petr\u00f3leo. Os terrenos de cultivo cresceram 200%. \u00c9 como se quase todo o territ\u00f3rio da cidade de\u00a0Londres\u00a0se transformasse em uma imensa planta\u00e7\u00e3o de abacate.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14450\" aria-describedby=\"caption-attachment-14450\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-14450\" src=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/1549049608_676151_1549055980_sumario_normal-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"413\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14450\" class=\"wp-caption-text\">Vista a\u00e9rea de uma planta\u00e7\u00e3o de abacate em Uruapan. Foto: Gladys Serrano\/EL Pa\u00eds<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uruapan \u2013 de 300.000 habitantes \u2013 \u00e9 o centro do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A capital industrial do abacate michoacano, onde est\u00e3o as principais empresas comercializadoras e onde ultimamente mais se notam os benef\u00edcios e estragos da\u00a0louca: as casas Bauhaus e as casas min\u00fasculas com tetos de chapas de metal, as empresas estrangeiras e as florestas devastadas, os milion\u00e1rios an\u00fancios de guacamole no\u00a0SuperBowl\u00a0e as mortes a tiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #000000;\"><em><strong><span style=\"font-size: 14pt;\">Viol\u00eancia do crime organizado aumentou na regi\u00e3o abacateira h\u00e1 cinco anos. Cart\u00e9is de narcotraficantes surgiram com extors\u00f5es atr\u00e1s do dinheiro r\u00e1pido<\/span><\/strong><\/em><\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alejandro Garc\u00eda, um distribuidor veterano, teve o filho assassinado na semana passada na porta de sua empresa. No final da tarde, quando sa\u00eda do trabalho com seu pai na sede da Frutas Frescas de Michoac\u00e1n, dois homens armados atravessaram a rua de moto e o fuzilaram \u00e0 queima-roupa.<\/p>\n<p>\u201cEu j\u00e1 tinha sa\u00eddo. Fui avisado por telefone e voltei rapidamente. Cheguei a v\u00ea-lo sangrando na porta\u201d, diz Garc\u00eda em seu escrit\u00f3rio enquanto supervisiona o carregamento de um caminh\u00e3o. Gabriel Garc\u00eda, 26 anos, formado em Administra\u00e7\u00e3o de Empresas, ainda estava aprendendo o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u201cDe outros empres\u00e1rios do setor \u2013 diz o pai \u2013 est\u00e3o pedindo mensalidades. Para n\u00f3s n\u00e3o. Ainda que uma ou outra negocia\u00e7\u00e3o com intermedi\u00e1rios tenha acabado com uma pistola em cima da mesa\u201d.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o abacateira sofreu um aumento de viol\u00eancia do crime organizado h\u00e1 cinco anos. Pelo dinheiro r\u00e1pido, os cart\u00e9is hegem\u00f4nicos da \u00e9poca \u2013 A Fam\u00edlia Michoacana e Os Cavaleiros Templ\u00e1rios \u2013 surgiram com extors\u00f5es e assaltos exigindo uma fatia do bolo.<\/p>\n<p>Nos povoados da serra chegaram a invadir planta\u00e7\u00f5es, expulsando os produtores de suas terras. As respostas das\u00a0mil\u00edcias\u00a0de autodefesa \u2013 grupos civis armados contra o\u00a0tr\u00e1fico de drogas\u00a0\u2013 e a queda dos grandes chefes diminuiu o n\u00edvel de intensidade e levou o foco midi\u00e1tico a outras regi\u00f5es problem\u00e1ticas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas a viol\u00eancia nunca foi embora. \u201cEm Uruapan, como \u00e9 mais cidade, n\u00e3o chegaram a organizar mil\u00edcias. Al\u00e9m disso, antes pelo menos sab\u00edamos quem eram. Agora j\u00e1 n\u00e3o sabemos mais\u201d, afirma o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>Pelas ruas do centro, os moradores reconhecem nomes e fam\u00edlias:<\/p>\n<p>Os Viagras? \u201cS\u00e3o de Buenavista, de um povoado que se chama Pinz\u00e1ndaro. Foram se expandindo at\u00e9 se tornarem fortes aqui\u201d.<\/p>\n<p>Jalisco Nova Gera\u00e7\u00e3o? \u201cEl Mencho \u2013 o chefe mais procurado atualmente no M\u00e9xico \u2013 \u00e9 de Aguililla. S\u00e3o primos. J\u00e1 entraram em muitos munic\u00edpios daqui. V\u00eam com tudo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14455\" aria-describedby=\"caption-attachment-14455\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14455\" src=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/1549049608_676151_1549055871_sumario_normal_recorte1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"366\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14455\" class=\"wp-caption-text\">Funcion\u00e1rios da empacotadora La Bonanza, em Uruapan. Foto: Gladys Serrano\/EL Pa\u00eds<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2014, o \u00e0 \u00e9poca presidente da Produtores e Empacotadores de Abacate de Michoac\u00e1n (APEAM), Sergio Guerrero Urbina, renunciou a seu cargo ap\u00f3s aparecer em um v\u00eddeo conversando longamente com Servando G\u00f3mez La Tuta, l\u00edder dos Cavaleiros Templ\u00e1rios, ao lado de outros empres\u00e1rios e pol\u00edticos locais.<\/p>\n<p>Gabriel Villase\u00f1or, atual presidente do sindicato patronal abacateiro, conta que naquela \u00e9poca \u201co chamavam\u201d sob amea\u00e7a de morte. Afirma que agora a tens\u00e3o baixou, mas reconhece que roubos, assaltos e assassinatos aumentaram, culpando os bandidos comuns. Desde que h\u00e1 dois anos teve um primo assassinado, decidiu se proteger com guarda-costas.<\/p>\n<p>Em um momento da entrevista, por uma das janelas de seu escrit\u00f3rio aparece a galhada de um cervo. \u201cS\u00e3o gamos europeus albinos. Gosto muito dos animais. Cheguei a ter ant\u00edlopes africanos, mas acho que o clima frio daqui fez com que adoecessem e morresse\u201d. Cada casal de cervos lhe custou 1.000 d\u00f3lares (3.600 reais).<\/p>\n<p>Dentro da f\u00e1brica da empresa comercializadora dirigida por Villase\u00f1or, uma das mais antigas da \u00e1rea, se trabalha sem parar. \u00c9 a grande semana porque no\u00a0domingo do SuperBowl\u00a0a demanda dispara. Mais de 100 funcion\u00e1rios cortam, limpam e armazenam abacates. Nessa \u00e9poca a jornada de trabalho \u00e9 de sete dias por sete: 130 d\u00f3lares por semana (475 reais).<\/p>\n<p>Em Uruapan, 51% de seus habitantes s\u00e3o pobres, de acordo com dados oficiais de 2016. Em novembro, toda a rede do neg\u00f3cio esteve parada por quase tr\u00eas semanas gra\u00e7as a um protesto dos produtores.<\/p>\n<p>Diziam que os distribuidores estavam abaixando o pre\u00e7o ao dar abertura a abacate de outros Estados. O quilo baixou a 17 de um m\u00e1ximo de 90 pesos (3 e 17 reais, respectivamente). A APEAM nega a exist\u00eancia de fruta de fora de Michoac\u00e1n e afirma que \u00e9 uma mera quest\u00e3o de mercado: com produ\u00e7\u00e3o maior, pre\u00e7o menor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_14467\" aria-describedby=\"caption-attachment-14467\" style=\"width: 550px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14467\" src=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Trabalhadores-diaristas-abacate-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"550\" height=\"367\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-14467\" class=\"wp-caption-text\">Diarista ganha em m\u00e9dia US$ 30 por cinco horas de colheita. Foto: EL Pa\u00eds<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><em><span style=\"color: #000000; font-size: 14pt;\"><strong>Trabalhadores rurais diaristas s\u00e3o o elo mais fr\u00e1gil da cadeia produtiva<\/strong><\/span><\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No meio, est\u00e3o os diaristas, o elo mais fr\u00e1gil. \u201cSe n\u00e3o cortamos, n\u00e3o comemos\u201d, diz Francisco Hinojosa, 50 anos, segurando tesouras de poda para colher a fruta da \u00e1rvore. Conta que antes costumavam trabalhar diretamente para o distribuidor, com contrato, seguro m\u00e9dico e pagamentos mensais.<\/p>\n<p>Agora est\u00e3o sob subcontratos. Trabalham por horas e s\u00f3 t\u00eam seguro m\u00e9dico quando est\u00e3o nas planta\u00e7\u00f5es. \u201cSe minha fam\u00edlia fica doente, precisa esperar o dia em que vou trabalhar\u201d. Ganha 30 d\u00f3lares (110 reais) por cinco horas colhendo. De tarde tenta ganhar a vida com outros trabalhos: pedreiro, jardineiro, encanador.<\/p>\n<p>No topo da colina, ainda resta uma faixa de floresta de pinheiros. Os limites com a planta\u00e7\u00e3o de abacates n\u00e3o s\u00e3o homog\u00eaneos e uma l\u00edngua dos abacateiros penetrou pela metade da \u00e1rea de mata.<\/p>\n<p>\u201cEstiveram cortando e plantando, mas o Governo percebeu e pararam\u201d, dizem na planta\u00e7\u00e3o mais abaixo. N\u00e3o h\u00e1 n\u00fameros oficiais e confi\u00e1veis do desmatamento provocado pelo voraz cultivo intensivo do abacate no\u00a0M\u00e9xico.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o aproximadamente 180.000 hectares\u201d, diz o diretor do escrit\u00f3rio de Michoac\u00e1n do Instituto Nacional de Pesquisas Florestais (INIFAP), um \u00f3rg\u00e3o federal.<\/p>\n<p>\u201cOcorreram abusos, ainda que n\u00e3o de maneira grave. O problema \u00e9 que n\u00e3o temos estudos para medir o impacto causado pelo desmatamento. N\u00e3o h\u00e1 incentivos para financiar pesquisas que possam prejudicar os interesses da ind\u00fastria. H\u00e1 dinheiro para pagar an\u00fancios milion\u00e1rios no SuperBowl, mas para isso n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Nesse ano, ser\u00e1 o quinto consecutivo que a divis\u00e3o norte-americana da APEAM coloca um comercial de seus abacates nos intervalos do evento esportivo mais midi\u00e1tico e caro dos EUA. De acordo com a Bloomberg, apenas 30 segundos de comercial custam mais de cinco milh\u00f5es de d\u00f3lares (18 milh\u00f5es de reais).<\/p>\n<p>Confira <strong><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/02\/01\/internacional\/1549049608_676151.html\">aqui<\/a> <\/span><\/strong>a mat\u00e9ria original do EL Pa\u00eds<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Di\u00e1rio Verde publica duas reportagens do portal jornal\u00edstico El Pa\u00eds retratando que,\u00a0 para saciar a fome mundial de abacate tem um pre\u00e7o: florestas derrubadas e cart\u00e9is no M\u00e9xico que entram no neg\u00f3cio de seu cultivo.\u00a0 Segundo a Wikip\u00e9dia, o abacate, fruto comest\u00edvel do abacateiro (Persea americana), uma \u00e1rvore da fam\u00edlia da Lauraceae nativa&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14438,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[181,182],"tags":[],"class_list":["post-34435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agricultura","category-alimentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34435"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34435\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14438"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}