{"id":34843,"date":"2015-04-17T19:29:28","date_gmt":"2015-04-17T22:29:28","guid":{"rendered":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/2015\/04\/17\/tecnicas-para-armazenar-agua-e-produzir-alimentos-ajudam-a-viver-no-semiarido\/"},"modified":"2015-04-17T19:29:28","modified_gmt":"2015-04-17T22:29:28","slug":"tecnicas-para-armazenar-agua-e-produzir-alimentos-ajudam-a-viver-no-semiarido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cliente.rezeta.com.br\/diario2\/2015\/04\/17\/tecnicas-para-armazenar-agua-e-produzir-alimentos-ajudam-a-viver-no-semiarido\/","title":{"rendered":"T\u00e9cnicas para armazenar \u00e1gua e produzir alimentos ajudam a viver no Semi\u00e1rido"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/57.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter  wp-image-161\" alt=\"57\" src=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/57.jpg\" width=\"522\" height=\"349\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nova Russas &#8211; Moradores convivem com per\u00edodo de seca na comunidade rural de Irapu\u00e1. Na foto, a planta\u00e7\u00e3o do agricultor Jo\u00e3o Pinto, 52 anos\u00a0Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para reduzir os impactos negativos da seca est\u00e1 no pr\u00f3prio Semi\u00e1rido. \u00c9 o que demonstram diversas fam\u00edlias e comunidades cearenses que conseguem fazer bom uso dos recursos que ficam escassos nos meses de estiagem. E muita coisa \u00e9 feita ali, ao lado das casas. O agricultor Jo\u00e3o Firmino, 85 anos, desceu a serra de Baturit\u00e9, no centro-norte do Cear\u00e1, na d\u00e9cada de 1950 para viver no Sert\u00e3o Central (historicamente considerada a \u00e1rea mais \u00e1rida do estado) e conta que, naquela \u00e9poca, n\u00e3o faltava servi\u00e7o. Para ter \u00e1gua em casa, entretanto, era preciso sair \u00e0s duas da madrugada em dire\u00e7\u00e3o a um a\u00e7ude.<\/p>\n<p>Firmino vive na comunidade de Bom Jardim, em Quixad\u00e1, h\u00e1 25 anos. Hoje, ao lado da cisterna-cal\u00e7ad\u00e3o (que capta \u00e1gua por meio de um \u201ccal\u00e7ad\u00e3o\u201d constru\u00eddo ao lado do reservat\u00f3rio), ele fica admirado quando a filha Lourdes, 41 anos, pega um balde e retira \u00e1gua de uma pequena abertura. \u201c\u00c9 muita \u00e1gua, gra\u00e7as a Deus.\u201d As chuvas que ca\u00edram em Quixad\u00e1 entre o final de fevereiro e o in\u00edcio de mar\u00e7o praticamente encheram a cisterna de 52 mil litros, cuja \u00e1gua \u00e9 utilizada para irrigar a produ\u00e7\u00e3o de frutas, hortali\u00e7as e gr\u00e3os. Na frente da casa, outra cisterna capta \u00e1gua da chuva pelas calhas para consumo familiar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/especial\/2015-03\/sertao-vivo\" target=\"_blank\"><b>&gt;&gt; Confira o especial &#8220;Sert\u00e3o Vivo&#8221;<\/b><\/a><\/p>\n<p>A agricultora Lourdes Lopes Alves seguiu os passos dos pais e \u00e9 quem hoje mant\u00e9m o quintal produtivo da fam\u00edlia. De l\u00e1, saem n\u00e3o s\u00f3 os alimentos que a fam\u00edlia consome. Ela re\u00fane o excedente para vender na feira em Quixad\u00e1. Al\u00e9m disso, produz e vende um bolo feito com o milho colhido em casa.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a h\u00eddrica \u00e9 apenas um dos muitos pontos importantes da conviv\u00eancia com o Semi\u00e1rido. Odal\u00e9a Severo, integrante da coordena\u00e7\u00e3o estadual da Articula\u00e7\u00e3o no Semi\u00e1rido (ASA), defende que o acesso \u00e0 terra e a estocagem de alimentos para as pessoas e para os animais s\u00e3o outros meios de manter as fam\u00edlias sertanejas em suas terras.<\/p>\n<div>\n<p><i>Saiba Mais<\/i><\/p>\n<\/div>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2015-03\/no-ceara-acesso-agua-e-desigual\">No Cear\u00e1, acesso \u00e0 \u00e1gua \u00e9 desigual<\/a><\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2015-03\/isolamento-de-retirantes-em-campos-de-concentracao-marcou-secas-no\">Isolamento de retirantes em &#8220;campos de concentra\u00e7\u00e3o&#8221; marcou secas no Cear\u00e1<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>\u201cSeca n\u00e3o se combate. \u00c9 preciso criar mecanismos para viver bem no Semi\u00e1rido. Experi\u00eancias como essa mostram que isso \u00e9 poss\u00edvel. Estamos rompendo com um paradigma de combate \u00e0 seca que foi repercutido ao longo da hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/58.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-162\" alt=\"58\" src=\"https:\/\/diarioverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/58.jpg\" width=\"580\" height=\"388\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nova Russas &#8211; Moradores convivem com per\u00edodo de seca na comunidade rural de Irapu\u00e1. O agricultor Jo\u00e3o Pinto, 52 anos, mant\u00e9m uma planta\u00e7\u00e3o e cria galinhas para sustento da fam\u00edliaFernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n<p>Em Nova Russas, na regi\u00e3o dos Inhamuns (a 239 quil\u00f4metros de Quixad\u00e1), a comunidade Irapu\u00e1 \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o do potencial do Semi\u00e1rido. L\u00e1, os produtores se reuniram em associa\u00e7\u00f5es para organizar o trabalho, que envolve a produ\u00e7\u00e3o de frutas e hortali\u00e7as, de artesanato, de aves e de mel de abelha. O pr\u00f3ximo passo da comunidade \u00e9 conseguir um selo que comprove a excel\u00eancia do trabalho na produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica de mel. Al\u00e9m disso, os apicultores aguardam a pr\u00f3xima florada, resultado das chuvas recentes, para colocar em funcionamento o novo entreposto \u2013 local em que o mel \u00e9 beneficiado para chegar ao consumidor.<\/p>\n<p>A expectativa para as primeiras produ\u00e7\u00f5es no novo local \u00e9 um pouco menor. Antes das chuvas, quando a \u00e1gua estava escassa e a temperatura era alta, as abelhas deixaram mais da metade das 320 colmeias de Irapu\u00e1. Atualmente, os apicultores contam com, aproximadamente, 150 colmeias. Mesmo assim, o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Agroecol\u00f3gica de Certifica\u00e7\u00e3o Participativa dos Inhamuns (Acep), Vicente Pinto de Carvalho Neto, est\u00e1 otimista. Ele estima que, em abril, j\u00e1 haver\u00e1 mel e que o n\u00famero de colmeias voltar\u00e1 a crescer. \u201cComo choveu, as abelhas que foram embora voltam, trazem outras e se reproduzem.\u201d<\/p>\n<p>Com as chuvas de fevereiro e mar\u00e7o, a cisterna de enxurrada (que capta \u00e1gua diretamente do solo e faz duas filtragens antes de ser armazenada) do quintal do agricultor Jo\u00e3o Pinto, 52 anos, ficou praticamente cheia. Mesmo assim, ele n\u00e3o deixou de ficar atento ao bom uso da \u00e1gua. Uma tecnologia que ajuda no uso sustent\u00e1vel do recurso \u00e9 o chamado canteiro econ\u00f4mico. Trata-se de um espa\u00e7o de nove metros quadrados onde a irriga\u00e7\u00e3o se d\u00e1 de baixo para cima, por meio de uma tubula\u00e7\u00e3o com furos que passa por baixo da terra. A \u00e1gua \u00e9 colocada por uma abertura e distribu\u00edda na terra pelos furos. Jo\u00e3o estima que o canteiro precise de dez litros de \u00e1gua, enquanto espa\u00e7os convencionais cheguem a consumir at\u00e9 40 litros de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Na comunidade de Irapu\u00e1, a produ\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o agroecol\u00f3gico \u00e9 a principal fonte de renda dos agricultores que trabalham com o manejo ecol\u00f3gico, segundo o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores da Agricultura Familiar (Apaf), Ant\u00f4nio Giovane Pinto de Carvalho. No quintal de Jo\u00e3o Pinto, as primeiras sementes j\u00e1 foram plantadas e as plumas devem ser colhidas entre junho e julho. Uma empresa estrangeira com sede no Brasil adquire a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica cearense e j\u00e1 apresentou aos agricultores a meta de comprar 4 mil quilos de pluma de algod\u00e3o. Um grande desafio para Irapu\u00e1, que produziu no ano passado 400 quilos. Al\u00e9m dos agricultores da comunidade, segundo o presidente da Apaf, h\u00e1 cerca de 60 trabalhadores na regi\u00e3o dos Inhamuns certificados para produzir algod\u00e3o agroecol\u00f3gico e mais 50 interessados em trabalhar dentro dessa perspectiva.<\/p>\n<p>Com autonomia para decidir o que plantar e acompanhamento para saber trabalhar com recursos escassos em momentos de seca, o sertanejo n\u00e3o precisa sair de sua terra, avalia o t\u00e9cnico agr\u00edcola da C\u00e1ritas de Crate\u00fas, Edmar Filho. Para ele, o Poder P\u00fablico tem muito o que aprender com os sertanejos.<\/p>\n<p>\u201cExiste uma troca de conhecimentos, de t\u00e9cnicas de conviv\u00eancia com o semi\u00e1rido, entre n\u00f3s, t\u00e9cnicos, e as comunidades que ainda n\u00e3o usam essas t\u00e9cnicas. Elas [as t\u00e9cnicas] s\u00e3o bastante disseminadas entre as entidades que acompanham as comunidades e esperamos que sejam mais disseminadas ainda entre os governos. O Poder P\u00fablico tem que vir no campo e ver o que os agricultores est\u00e3o fazendo\u201d, defende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Russas &#8211; Moradores convivem com per\u00edodo de seca na comunidade rural de Irapu\u00e1. 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